Gilles Deleuze
por Enrique Landgrave
... linhas de fuga - devir - imanência - repetição - singularidade - corpo sem órgãos - sentido - plano - multiplicidades - diferença - sensações - arte - máquinas desejantes - intensidades - máquinas de guerra fluxos - rizoma - abecedário - hecceidades - escrileituras - educação - vida - literatura - performance ...

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multiplicidades

ninguém é deus,
e deus não é ninguém
a vida acontece para todos os lados
a inconstância nos faz distantes e,
ao mesmo tempo,
nos sintoniza
não como algo certo ou errado
mas como fonte de multiplicidades
que estão 
muito acima do bem e do mal.


Tânia Marques  03/05/2012

Antonin Artaud

 Francis Bacon, Study after Velazquez's Portrait of Pope Innocent X, 1953

Queria uma obra nova, que apreendesse certos
pontos orgânicos da vida.
Uma obra
na qual se sentisse todo o sistema nervoso.
Acesa como um braseiro,
com vibrações,
consonâncias,
que convidasse
o homem
a sair
com
seu corpo
para seguir no céu
essa nova, insólita e radiante epifania...

_____________
Antonin Artaud

poema deleuzeano

Paul Klee, Highway and Byways (1929)
Oil on canvas, 32 5/8 x 26 3/8
Pensamento sem imagem
Anarquia mental
Libertação total
de paradigmas territoriais
Palavras, textos, obras
falando por si só
a estética do nonsense
para dar significado
àquilo que nos amarra
que aprisiona as nossas singularidades
Nasce um poema deleuzeano
longe do lugar-comum
pois a criação
é uma nova possibilidade
de vida não-fascista
sem rótulos
sem marcas
sem estéticas corrompidas
o imprevisível
o intempestivo
surgindo para engendrar
uma beleza que não esteja subjugada ao poder
Milhões de incertezas brotando
Para fazer a diferença das diferenças
Luta filosófica ferrenha
entre palavras e sentidos
Eis um poema deleuzeano...

Tânia Marques 12/07/09

frestas: narrativas dos estados moleculares


alguém que passa... despassa 
pinta 
papel 
parede 
a face 
pensa 
na mácula suave... 
das tintas 
nuanças 
rudimentos 
laivos 
tons 
sobre o contaminado... 
imprime 
força 
intensidade 
acontecimento 
nas ações 
nas fabulações 
que rompem... 
com o imaginado antes



Tânia Marques  09/12/2011

ausência

grotescas simbologias
redemoinho de palavras
de cores
de traços
de trapos
ambivalência
desterritorialização de sentimentos
confusão
caos niilista
envolvimento sinuoso
fuga do centro
poesia eclética
perfumes
interpretações
criações
subjetividades
transcendências fugazes
voláteis
a vida escorre
na minha ausência


Tânia Marques 28/09/2011

Imagem:
Head VI
1949 (290 Kb); Oil on canvas, 93.2 x 76.5 cm (36 5/8 x 30 1/8 in); Arts Council of Great Britain, London

A ilha

Eu espero horas nesse lugar
Que lugar?
Ainda não sei quanto tempo
Eu posso esperar...
É dia, é noite, é sol, é mar,
Mas ainda é preciso esperar...
Esperar o quê?
O desejo, o sonho, a festa, o sucesso?
Para aonde vai nos levar essa nuvem de progresso?
Esperar, esperar...
Entra chuva, brisa, calor, frio e vento,
E eu continuo a esperar...
Sai arco-íris, neve, tempestade...
Entra e sai até a felicidade, e ainda
Preciso esperar,
Espero, espero, espero,
Passa o céu, o luar, as ondas
E os planetas,
Passa pássaros, estrelas e os cometas,
Mas ainda preciso esperar,
Esperar por quê?
Tem fogueira, conversa, riso, choro,
Sexo e amor,
Mas, e essa espera que não termina?
Ela me acolhe e fascina!
Tem dança, tem crença, tem saúde, tem doença
Tem chão, fogo, rosa e azul,
Tem cultura, e essa espera não tem
Censura!
Espera, espera, espera aí...
Espera garota, espera guri,
Será que alguém me espera?
Toca o sino, toca o hino
Dim, Dom, Dim, Dom
Estalo, barulho, cantoria
E quem escuta a melodia?
Ninguém espera...?
Abre a porta, abre a jenela,
Tem horizonte, tem aquarela,
Tem som, tem batida,
E a vida, ninguém espera?
Sacode, balança, se vira do avesso...
Será que eu não te conheço
Nas andanças, cirandas, nas brincadeiras de
Criança,
Espera, ainda há
Uma última lembrança,
Hum, quem, onde?
Em qual lugar?
E persiste esse tum tum tum
Cantando que eu preciso esperar,
Esperar o quê?
Não sei, talvez alguém
Ainda esteja para chegar!

Elisa Riffel Pacheco

Fonte da imagem: http://fredwiliam.blogspot.com/2011/07/ilha-dos-sentimentos.html
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Plano de composição


Instrumentos seguem planos sonoros
Planos de imanência
Improvisações
Ordenação lado a lado
Clave-de-sol cortando o caos
Sensações
Estilo em dó-ritornelo-maior
Intensidades
Batucadas coloridas
Arte que produz efeitos sinestésicos
Escritartística sem planejamento prévio
Sons que desbravam a alma
Planos que transdançam coloridos
Em um coração pulsante

Tânia Marques 01/09/2011

Fonte da imagem: abrancoalmeida.com

A viagem

Uma noite
Nessa estrada
Mais uma jornada
Novamente
Abandono minha casa
Carros voam como o vento
Hoje, quase aconteceu
Um atropelamento
Penso na vida
Nos maus e bons momentos
Noite quente, enluarada
Estou exausta, cansada
Dirigindo mais uma vez
Nessa velha estrada
Ao som dos insetos
Reflito:
O que é errado,
O que é certo?
Perco-me em meu pensamento
Escuto buzinas
Meio sonolenta
Imaginei ter visto minha menina
Bela dançarina
Que bailava ao ritmo das cantigas
Coração doce, face serena
Minha grande amiga, minha pequena!
Desperto à luz do farol
Lembranças vão e vêm
Assim como o nascer e o pôr do sol
Continuo na estrada,
Agora, bem acordada
Pensei ter visto um vulto
Grito, levo um susto!
Que piada, não era nada!
Abro o vidro,
Sinto no rosto o vento da madrugada
Contemplo a lua, noite linda
Muito estrelada
De repente,
Estaciono o carro
Paro em uma pousada
Maloca velha, toda quebrada
Não reclamo...
Durmo tranqüila,
Sonhando com minha chegada
Pé no asfalto
Nossa, como é difícil
Dirigir de salto alto
Estou chegando...
Aonde?
Sem destino
Continuo procurando...
O combustível está acabando,
Meu tempo está se cessando
Avisto um posto de gasolina
Enquanto o tanque abastece
Descanso, faço um lanche na cantina
Lentamente, vou me espreguiçando
Desço do carro,
Ascendo um cigarro
Fico fumando
Minha viagem
Está terminando ou
Recém começando?
Continuo meu caminho
Com dores, amores, flores e espinhos
Minha vida é uma eterna charada
Sigo em frente, dou uma leve risada...
Elisa Riffel Pacheco
Fonte da imagem: wcams.com.br

entre-tantos


nos entretantos
dos entremeios
nos entretantemos
entre outros tantos
entresseios...


Tânia Marques 20/08/2011

Procuro despir-me do que aprendi, (Alberto Caeiro - Fernando Pessoa)


Procuro despir-me do que aprendi.
Procuro esquecer-me do modo de lembrar
que me ensinaram, 
e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu, não Alberto Caeiro,
Mas um animal humano que a natureza produziu.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender...


Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)

SER e CRÊ SER

Gisele C. da Fontoura Sudatti


“CORRER contra o tempo...
TEMPO de partilhar, COMpartilhar, partilhar COM
PARAR? ATENÇÃO!
olhe! VEJA!
ouça! ESCUTE!
TOQUE! sinta!
Os cheiros! SINTA!
os sentidos! Faz sentido! dão SENTIDO!
consciência! COM ciência!?
coincidências! COINCIDÊNCIAS?
encontros (des)encontros (re)encontros!
O Tempo! Ah! O TEMPO....”

Árvore que venta

“Sou livre para o silêncio das formas e das cores”
   (Manoel de Barros)

Elisandro Rodrigues

No tempo que penso: brinco. Brincadeiras de colorir e inventar formas outras [de novos possíveis]. De ser malabarista de mim mesmo, jogando para o alto cores que se espalham ao cair no chão pintando mosaicos de silêncios e fl[d]ores. Brinco de ser livre correndo com os pés nas nuvens.
Vento para levantar as saias das meninas desavisadas, deixando as pernas encarnadas de poesia. [In]vento traquinagens feito meninomolequedeolhoscuriosos.
No silêncio penso no tempo que tenho para brincar.
  ÁRVORE QUE VENTA
Elisandro Rodrigues
                                                                    

NOS BROTOS DE 
                     UMA
                                   ÁRVORE
                     L
                 I
             N
            H
              A
                 S
                                   QUE
                    
                                DANÇAM
                                                
                                                  N
                                                        O
                         
                                                           SILÊNCIO

“Na poesia escrita [quem sabe na palavra escrita] um entre. Não uma placa com “neon” que quebra o silêncio preso ao azul[verde] dos olhos. Um entre que dança parado no ponto que não me reconheço. Uma fotografia que se movimenta de pés[descalços] no chão. Brotos que começam pelo meio. Um entre de linhas [de vidas] que se perdem [acham] nos muros cinzas de uma avenida movimentada. Corpos que dançam parados no meio da multidão. Riscos [linhas] de [in]visibilidade que [in]ventam um entre [pouco de possível].”
Elisandro Rodrigues

A arte me provoca

 Elisa Riffel Pacheco

Arte que me provoca,
Que mexe comigo, que bagunça
Meu jeito de ser, de pensar,
Que provoca meu pensamento,
Minha vida, minha
Direção e vocação.

Quando fiz este texto,
Esta poesia, eu senti
Desconstruía e construía
Algo dentro de mim
Na leitura, escrita
Vivência na arte
É algo que passa por mim,
Transita e percorre meu olhar
De ver e sentir a mim mesma e ao mundo
Que me cerca.
É poético, é criação, é imaginário, é intuitivo
Que carrega conteúdo psíquico
Que abre portas à formação estética e ética
Esse texto me traduz
Traduz um pouco de meu eu e das sensações
Que permito sentir e experimentar.

É como se eu tivesse sempre
A minha disposição uma enorme aquarela
Pintando a vida em cores diferentes
A cada vivência
A cada conhecimento
Que se vive
Que se aprende.
“Agora, aqui nesta sala, neste momento, eu me vejo e me sinto descrevendo minha escrita, como se eu fosse uma mutante que pudesse brincar, jogar com as cores em meu corpo, mudando de cor a cada estímulo, sensação ou provocação. Eu me chamo coreal por ter esta mutação. É como se eu tivesse uma aquarela dentro de mim.”
coreal: cor + real

A criança

Daiane Rodrigues

A criança tem em si a possibilidade de mudar, mudar sem se preocupar com a opinião alheia e mostrar-se curiosa diante destas mudanças. Assim como a criança é levada a aceitar as novidades impostas, o adulto passa por elas encarando-as de outra maneira.
O dia-a-dia de um adulto, criança, adolescente ou idoso, faz-se de ações que geram opiniões em si e nos outros, essas opiniões provocam outras ações que vão de encontro a esta primeira geradora e assim, acontecem os dias e se forma o cotidiano.
A criança não é diferente do adulto, contudo encontra formas mais brandas de resolver uma situação e as resolve com maior felicidade. Isto, na verdade, se tomado por todos nós, faria com que a vida e o cotidiano fosse mais leve.
Desta forma, é preciso crescer, levando consigo a capacidade de uma criança em PERMITIR-SE : errar, chorar, arrepender-se e não se importar tanto pois amanhã é um novo dia e nada será como hoje, nem ontem.

Evoluir e regressar
Criança, adulto, velho, sentir, viver, permitir-se

Daiane Rodrigues

A criança sente e mostra,
O adolescente sente, esconde e se esconde,
O adulto sente e precisa enfrentar,
O velho/idoso volta a ser criança sentindo e mostrando, fica como um adolescente se escondendo atrás de um “ser”e parecer infantil, em alguns momentos é adulto e resolve enfrentar. Contudo, na maior parte do tempo é assim... assado... tudo... nada...pode e faz. Ele se permite e acaba sendo capaz.

Vazio

Camila Dorneles
É no vazio que me completo
Que me transbordo
Que me encho
É no vazio, que encontro comigo mesma
Necessito do vazio, do afastamento, do isolamento.
No vazio que me encontro.
Será vazio?

Cem linguagens

Ana Iara Silva de Deus
Criança
Escola
Cultura
Privam-lhe
Mente e corpo
Pensar sem corpo
Agir sem cabeça
Sonhar
Imaginar
Primar
Maravilhar-se com o mundo:
Só na páscoa e no natal
Feita de cem
Cem e mais cem Linguagens.


INFÂNCIA, CRIANÇA.

Ana Iara Silva de Deus

Criança. Brincadeira, correria, imaginação.
Sonho, paixão, alegria, satisfação.
Criança, infância, emoção, brincadeira, conhecimento, realidade, contextos, não ilusão.

Criança, linguagem, corpo, imagem, sensação.
Criança, emoção, coração, vivencia, ludicidade e criação.

Criança, corpo, mente, emoção, intelecto e vibração.

Criança, descobrimento, experiência, surpresa e satisfação.
Criança, infância, brincadeira, conhecimento, realidade, contexto, não ilusão.

reticências



escrever, escrever, escrever, escrever, ponto
escrever mais, escrever mais, escrever mais, ponto mais
desenhar palavras, desenhar palavras, desenhar ponto
escrever ponto, desenhar ponto mais
pontuar palavras, pontuar desenhos
ponto escrito
ponto desenhado
ponto pontuado mais
sem ponto
com escrita
com desenho
três pontos...

Tânia Marques  09 de julho de 2011

traços

grotescas simbologias
redemoinhos de palavras
de cores
de traços
labirinto poético
desterritorialização de intensidades
envolvimento sintético
poesia eclética
sinestesia
atuações
subjetivações
transcendências fugazes

Tânia Marques 08 de julho de 2011

enigma


.linhas retas
estradas tortuosas
paragens outras diferentes
ausência de cores
sabores
um jeito geo-gráfico de ser
ruptura
desorganização molecular
instantes fugazes
lembranças
centralizações
memórias fugidias
dureza que sustenta
gestos que rebatem
dissolvição de ideias
diluição da vida.

Tânia Marques 07 de julho de 2011

Fonte da  imagem: googlediscovery.com

Uma obra de arte

                                                                   Romero Britto

Quando eu faço arte...
Desperta em mim
Uma inspiração
Que eu não sei
Se vem do cérebro ou do coração!
Quando eu faço arte...
Eu dou sentido a minha métrica
Coloco meus sentimentos em voga
Valorizo minha autoria, minha moda!
Quando eu faço arte...
Há em mim
Uma reflexão
Que sensibiliza que altera
Meu pensamento, minha percepção!
A arte dinamiza meus sentidos, minha visão
Ela faz meu espírito
Adquirir um novo brilho,
Uma nova concepção!
A arte provoca desejo, sabedoria,
Reação
Ela se transcende à luz da razão!
Quando eu faço arte...
Eu integro meu conhecimento
A minha imaginação,
Eu misturo conceitos, versos, rimas e
Emoção!
Quando eu faço arte...
Eu sinto amor e ternura
Mas não me prendo a um modelo, a
Uma cultura!
Para poder criar
É preciso ser livre, espontâneo,
Sem limites, sem censura!
Quando eu faço arte...
Eu brinco de ser artista
Meu corpo, meu psique se modificam,
Sou mais sensível, alegre e otimista!
Quando eu faço arte...
Eu aprecio a estética da vida
Sonho, viajo...
Admiro flores, essência e cores
Para ter minha poiética constituída!”

Elisa Riffel Pacheco
Psicopedagoga, professora de teatro, especialista em Pedagogia da Arte
elisapach@yahoo.com.br


Porto Alegre, 23 de Outubro de 2010
Contos Rizomáticos. Tecnologia do Blogger.
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